Às Margens de uma Serra sem Ouro (2016-presente)
Após anos de viagens frequentes à cidade de Goiás, a transição de visitante para morador transformou radicalmente o eixo de observação fotográfica. Situada às margens da Serra Dourada — importante marco geográfico e geopolítico —, a cidade foi a capital do estado até a década de 1930 e é hoje reconhecida como Patrimônio Histórico e Cultural pela UNESCO. Este projeto de longo prazo, no entanto, olha para aspectos além da imagem turística da cidade. O foco aqui não são os fatos históricos ou a arquitetura colonial, mas a cidade contemporânea marcada pelo fazer artístico e rural e pelo declínio econômico que sucedeu o esgotamento do ciclo do ouro e a deposição como capital do estado.
O trabalho investiga a vida em Goiás, ou pelo menos a vida que enxergada pelo fotógrafo na cidade. Através de paisagens e cenas urbanas periféricas, retratos e festas noturnas iluminadas por flash, ele busca a experiência do "viver aqui". É uma reflexão contínua sobre como nos organizamos em sociedade.
Esteticamente, o projeto acompanha a transição definitiva para o formato digital. Iniciado em monocromático com uma lente 28mm (Fujifilm X-E1), a série evoluiu primeiro para a cor e depois para a distância focal de 35mm (Fujifilm X100V). A paleta cromática recusa saturações exageradas, em vez disso, abraça o peso das cores primárias sob o sol forte, áspero e frequentemente sem nuvens.
Atualmente em fase de consolidação, "Às Margens de uma Serra sem Ouro" está sendo estruturado como um projeto de pesquisa formal de 24 meses, com encerramento previsto para 2028. Nesta etapa final, a investigação fotográfica se desdobrará em experimentações audiovisuais através de videorrelatos, culminando em um arquivo visual e sonoro sobre a experiência de habitar a cidade mais velha do estado.
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